domingo, 1 de maio de 2011
Sem você.
Minhas mãos estão geladas. Minha boca está seca. Meus olhos dóem. Meu rosto está pálido. Não consigo me locomover. O chão tem gotas de sangue. Era isso que você queria? Pois foi isso que você proucurou. Você me deixou com tanto frio, a beira de um precipício. Sozinho, no escuro. Deito na cama de noite e lembro de você sempre me abraçando, falando coisas bobas, me enchendo com suas carícias. Porque eu fui proucurar logo você? Você? Logo você. Que sempre fodeu comigo, sempre fodeu com meu raciocínio. Agora quem não quer mais nada sou eu. Me deixe aqui, sozinho. No escuro, no frio, a beira de um precipício. Pois afinal, você acabou me acostumando com isso e eu gostei. Parece que as noites em claro, as olheiras, as ressacas, as cicatrizes e os pulmões fodidos por causa da nicotina me entendem. E você não. Minha vida agora são meus vícios, e você, bem, não se encaixa mais neles.
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E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."
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