segunda-feira, 6 de junho de 2011

Trago ao veneno.

Minhas mãos estão geladas. Sinto cada teor de álcool cair deliberadamente por minha garganta e bater lentamente em minhas entranhas. A cada trago que dou no cigarro, difundo minha respiração, deixando-a em pigmentos dissolvidos a minha dor. Você me deixou nas piores condições que alguém poderia deixar outro alguém. Você me difundiu em cinzas ralas e frescas, que ventam com o assopro de uma gaivota ao redor do céu. Por que me procurou? E por que me deixou? Você me deixou sem respostas, sem esperanças, sem vida... sem você... Eu estou morto por dentro há dias e não durmo desde que acordei. Vejo dissolver-me lentamente e me sinto perdido a essa vida que não me pertence mais, a essa alma que não pertence mais a esse corpo. Agora está tudo confuso, embaçado e embaralhado a minha frente. Eu não vejo nada, sinto meu corpo querer tombar para frente traiçoeiramente, seguro a mesa de centro da sala. Eu apaguei. Oh querida... todo esse veneno...